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    Finep 2026: guia completo dos editais de subvenção abertos

    Saiba como os novos editais de subvenção da Finep podem transformar seu P&D em um motor de vantagem competitiva. Explore as entrelinhas e maximize o acesso a recursos não-reembolsáveis.

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    FINEP: Finep 2026: guia completo dos editais de subvenção abertos

    Finep 2026: mais de R$ 2,5 bilhões em fundo perdido para empresas inovadoras

    A Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), agência do governo federal ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, lançou em 2026 a maior rodada de subvenção econômica dos últimos anos. São 11 editais temáticos, com mais de R$ 2,5 bilhões disponíveis para empresas brasileiras que desenvolvam projetos de inovação tecnológica.

    O que é subvenção econômica? É dinheiro público transferido diretamente para a empresa, sem devolução, sem juros, sem garantias reais. A empresa recebe os recursos, executa o projeto de inovação e presta contas dos resultados técnicos e financeiros. É o que o mercado chama de "fundo perdido".

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    O que todo edital tem em comum

    Antes de detalhar cada chamada, é importante entender as regras gerais que se repetem em praticamente todos os editais desta rodada.

    Arranjo simples e arranjo em rede

    Todos os editais do programa Finep Mais Inovação Brasil aceitam dois formatos de proposta:

    Arranjo Simples: A empresa brasileira (proponente) participa com pelo menos uma ICT (universidade, instituto de pesquisa). Pode incluir outras empresas como coexecutoras, mas não é obrigatório.

    Arranjo em Rede: A empresa proponente participa junto com pelo menos duas outras empresas coexecutoras e pelo menos uma ICT. As coexecutoras devem ter participação efetiva no projeto (não pode ser mera prestação de serviços). Ao menos uma das empresas participantes precisa ter faturamento anual igual ou superior a R$ 16 milhões.

    A vantagem do Arranjo em Rede é o teto maior de recursos por proposta — quase sempre o dobro do Arranjo Simples.

    Contrapartida financeira

    A contrapartida é obrigatória em todos os editais. Ela representa o percentual do valor total do projeto que a empresa precisa bancar com recursos próprios. A tabela abaixo é padronizada entre os editais:

    Micro e Pequena (MEI/EPP) — faturamento até R$ 4,8 milhões: 5% (Simples) / não elegível para Rede

    Pequena — faturamento de R$ 4,8M a R$ 16M: 10% (Simples) / não elegível para Rede

    Média I — faturamento de R$ 16M a R$ 90M: 30% (Simples) / 15% (Rede)

    Média II — faturamento de R$ 90M a R$ 300M: 40% (Simples) / 20% (Rede)

    Grande — faturamento acima de R$ 300M: 50% (Simples) / 25% (Rede)

    O Arranjo em Rede não está disponível para micro e pequenas empresas isoladas, pois exige que ao menos uma empresa do consórcio tenha receita de R$ 16M+.

    Prazo de execução e liberação dos recursos

    Todos os projetos têm prazo de execução de até 36 meses, prorrogável a critério da Finep. Os recursos são liberados anualmente, não de uma vez só — a empresa precisa comprovar a execução de cada etapa para receber a parcela seguinte.

    Pontuação mínima para aprovação

    As propostas passam por análise de mérito e precisam atingir pontuação igual ou superior a 14 pontos. Propostas que zerarem nos critérios de "Grau de Incerteza Tecnológica", "Abrangência" ou "Relevância do Tema" são automaticamente eliminadas.

    Reserva regional

    Todos os editais do Mais Inovação Brasil reservam entre 30% e 30% do orçamento total para projetos cuja execução principal ocorra nas regiões Norte, Nordeste ou Centro-Oeste. Empresas nessas regiões concorrem com menos disputa por uma fatia garantida do bolo.

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    Os editais em detalhes

    1. Transição Energética — R$ 500 milhões

    Prazo de submissão: 31/08/2026 | Público: Empresas (com ICT obrigatória)

    O maior edital da rodada. Apoia projetos de PD&I voltados à descarbonização e à transição energética brasileira.

    Quanto cada empresa pode pedir:

    • Arranjo Simples: entre R$ 5 milhões e R$ 20 milhões
    • Arranjo em Rede: entre R$ 5 milhões e R$ 50 milhões
    • O que financia — linhas temáticas:

      Linha 1 – Geração de eletricidade de baixo carbono: Equipamentos e componentes industriais críticos para sistemas de geração a partir de biomassa, solar, eólica, geotérmica, hidrelétrica, marés, nuclear e geração híbrida. Esta linha pode chegar ao TRL 8.

      Linha 2 – Hidrogênio de baixo carbono: Tecnologias para produção, compressão, armazenamento, transporte e uso de hidrogênio verde ou de baixa emissão. Foco em setores de alta demanda energética e de difícil descarbonização.

      Linha 3 – Armazenamento de energia: Equipamentos e componentes para sistemas de armazenamento, com preferência a tecnologias avançadas como baterias de sódio, estado sólido e de fluxo. Esta linha pode chegar ao TRL 8.

      Linha 4 – Transmissão e resiliência do sistema elétrico: Equipamentos para transmissão em ultra alta tensão, compensação reativa, monitoramento e gestão para evitar curtailment, e resposta rápida do sistema elétrico brasileiro (SEB).

      Linha 5 – Biomassa para biocombustíveis: Desenvolvimento, purificação e pré-tratamento de insumos renováveis para biocombustíveis, incluindo engenharia genética de plantas, enzimas e plataformas microbianas. Não inclui biogás nem biometano.

      Linha 6 – Combustíveis sustentáveis (processos e componentes): Processos de produção de biocombustíveis e combustíveis sintéticos de baixo carbono; catalisadores, membranas, reatores e gaseificadores; escalonamento industrial para SAF, diesel verde e HVO. Esta linha pode chegar ao TRL 8.

      Linha 7 – Biogás e biometano: Pré-tratamento de biomassa residual; sistemas de biodigestão, purificação e monitoramento; compressão, transporte e abastecimento de biometano; uso veicular e industrial; biotecnologia para biodigestão.

      Linha 8 – Captura, armazenamento e uso de CO₂: Tecnologias de CCS, CCUS, BECCS e DACCS; nanocompósitos para filtragem de CO₂; metodologias digitais para mensuração de pegada de carbono e emissões evitadas em processos industriais e logísticos.

      Perfil de cliente potencial: Empresas de energia (solar, eólica, biomassa, hidro), fabricantes de equipamentos para o setor elétrico, indústrias com metas de descarbonização, startups de energia limpa, produtoras de biocombustíveis, empresas de gás e biogás.

      🔗 Edital completo: http://www.finep.gov.br/chamadas-publicas/chamadapublica/772

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      2. Saúde — R$ 300 milhões

      Prazo de submissão: 31/08/2026 | Público: Empresas (com ICT obrigatória)

      Apoia o fortalecimento da autonomia nacional na produção de insumos, medicamentos e dispositivos médicos para o SUS. As propostas são avaliadas por linha temática, cada uma com um teto de recursos diferente.

      Quanto cada empresa pode pedir (varia por linha):

    • Linhas I, II, V e VI: até R$ 15 milhões por proposta
    • Linha III: até R$ 10 milhões por proposta
    • Linha IV: até R$ 30 milhões por proposta
    • Valor mínimo em todas as linhas: R$ 5 milhões
    • O que financia — linhas temáticas:

      Linha I – Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) estratégicos para o SUS: Desenvolvimento de IFAs inovadores (verdes, químicos ou biológicos), tecnologicamente aprimorados, ou com patentes expirando e lacuna de produção nacional. Inclui síntese, processos biotecnológicos, caracterização físico-química e transferência de tecnologia com internalização produtiva no Brasil.

      Linha II – Produtos biológicos novos e biossimilares: Desenvolvimento e escalonamento de produtos biológicos estratégicos para o SUS. Inclui linhagens produtoras, processos biotecnológicos, purificação, formulação e estudos de comparabilidade com o produto de referência (para biossimilares). Não inclui terapias avançadas nem vacinas, que têm linhas próprias.

      Linha III – Pesquisa clínica para produtos inovadores: Realização de ensaios clínicos de Fase 1 e/ou Fase 2 em instituições brasileiras, para produtos novos ou aprimorados visando registro na ANVISA. A aprovação pelo CEP/ANVISA não é exigida para submeter a proposta, mas é condição para a contratação do projeto.

      Linha IV – Terapias avançadas: Desenvolvimento de terapias gênicas, celulares e de engenharia tecidual. Inclui pesquisa pré-clínica e clínica, produção de lotes clínicos, estabelecimento de plataformas tecnológicas e transferência de tecnologia com internalização nacional de componentes críticos (vetores virais, linhagens celulares, biomateriais).

      Linha V – Dispositivos médicos: Desenvolvimento de dispositivos terapêuticos, de diagnóstico e monitoramento de alto valor agregado para o SUS — testes rápidos de antígeno/anticorpo, point-of-care, dispositivos estruturais, eletrônicos e digitais. Não financia descartáveis simples (seringas, luvas, gazes). Ao menos uma empresa participante deve ter Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE) vigente na ANVISA.

      Linha VI – Vacinas: Desenvolvimento e produção de vacinas estratégicas para o SUS, incluindo vacinas combinadas, sistemas inovadores de liberação e formas farmacêuticas não invasivas. Plataformas mRNA, proteicas, vetoriais, VLPs e similares.

      Perfil de cliente potencial: Laboratórios farmacêuticos de médio e grande porte, empresas de biotecnologia, fabricantes de dispositivos médicos e de diagnóstico, empresas de pesquisa clínica por contrato (CRO) com capacidade produtiva nacional.

      🔗 Edital completo: http://www.finep.gov.br/chamadas-publicas/chamadapublica/773

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      3. Cadeias Agroindustriais Sustentáveis — R$ 300 milhões

      Prazo de submissão: 30/09/2026 | Público: Empresas (com ICT obrigatória)

      Foca na modernização e soberania da agroindústria brasileira, com ênfase em segurança alimentar e redução de dependência de importações.

      Quanto cada empresa pode pedir:

    • Arranjo Simples: entre R$ 5 milhões e R$ 25 milhões
    • Arranjo em Rede: entre R$ 5 milhões e R$ 40 milhões
    • O que financia — linhas temáticas:

      Linha I – PD&I para produtividade agrícola e segurança alimentar: Fixação biológica de nitrogênio, fósforo e potássio em gramíneas (milho, trigo, arroz, cana) e alimentos da cesta básica; microrganismos para defesa de culturas; melhoramento genético com CRISPR e edição gênica (não inclui melhoramento tradicional); máquinas agrícolas para aumento de produtividade (exceto soja, cana e milho); tecnologias hiperespectrais embarcadas em drones e satélites para monitoramento de estresses bióticos, solos e fraudes alimentares; IFAs e produtos biológicos para saúde animal de produção.

      Linha II – Nacionalização de máquinas e equipamentos: Projetos que identifiquem explicitamente o item importado a ser substituído. Incluem: máquinas de pós-colheita para grãos, sementes, frutas e hortaliças; componentes físicos e eletrônicos de drones para manejo agrícola; equipamentos para produção industrial de alimentos, aquicultura e algodão; equipamentos para laticínios (ordenha, pasteurização, embalagem, análise de qualidade).

      Linha III – PD&I em alimentos: Biofortificação via CRISPR e edição gênica; formulações de alimentos funcionais para lactentes, doenças raras e pacientes oncológicos; irradiação de alimentos; equipamentos de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) para controle de qualidade e detecção de adulterações; inovações para carne cultivada (meios de cultivo, linhas celulares, scaffolds); revestimentos comestíveis inteligentes com sensores de frescor.

      Linha IV – Têxteis técnicos: Trajes de biossegurança nível 4; têxteis com nanocápsulas de PCM (controle térmico) para uniformes e aplicações médicas; geotêxteis e lonas inteligentes para agropecuária; tecidos para implantes e scaffolds médicos; têxteis balísticos e de proteção; fibras de alta resistência ao fogo e calor.

      Perfil de cliente potencial: Indústrias alimentícias com área de P&D, empresas de insumos agropecuários (fertilizantes biológicos, defensivos biológicos), fabricantes de máquinas agrícolas, frigoríficos com linha de pesquisa, startups de agritech e foodtech, empresas têxteis com foco técnico-industrial.

      🔗 Edital completo: http://www.finep.gov.br/chamadas-publicas/chamadapublica/774

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      4. Base Industrial de Defesa — R$ 300 milhões

      Prazo de submissão: 30/09/2026 | Público: Empresas Estratégicas de Defesa (EED)

      Atenção — requisito exclusivo: A empresa proponente deve ser necessariamente uma Empresa Estratégica de Defesa (EED), conforme a Lei nº 12.598/2012 e o Decreto nº 7.970/2013. Empresas comuns não se qualificam como proponentes, mas podem participar como coexecutoras.

      Quanto cada empresa pode pedir:

    • Arranjo Simples: entre R$ 5 milhões e R$ 25 milhões
    • Arranjo em Rede: entre R$ 5 milhões e R$ 50 milhões
    • O que financia — linhas temáticas:

      Linha I – Tecnologias para Defesa Nacional: Sistemas não tripulados e robótica (drones, munição vagante, sistemas autônomos e semiautônomos); energia e armazenamento para defesa (baterias de alta capacidade, supercapacitores, dispositivos de rápida liberação); propulsão sólida, híbrida e líquida; materiais energéticos; sistemas hipersônicos; sistemas espaciais (satélites, veículos lançadores); sensores avançados passivos e ativos; materiais avançados, nanotecnologia e manufatura avançada para aplicações militares (revestimentos de baixa detectabilidade, proteção térmica hipersônica); cibersegurança e defesa cibernética; energia dirigida; guerra eletromagnética; biotecnologia e defesa NBQR (Nuclear, Biológica, Química e Radiológica); tecnologias nucleares; radares; tecnologias quânticas (criptografia, comunicações, sensores); IA para sistemas militares táticos e estratégicos; análise avançada de dados; comunicações; guiamento, controle e navegação; foguetes e mísseis.

      Linha II – Sustentabilidade econômica da BID: Projetos orientados a uma das três diretrizes — (a) exportação: desenvolvimento de novos produtos para o mercado externo, reduzindo dependência de receita interna; (b) dualidade: desenvolvimento de aplicações civis para tecnologias militares, ou vice-versa; (c) substituição de importações: desenvolvimento nacional de insumos e produtos atualmente importados para a cadeia de defesa.

      Perfil de cliente potencial: Indústrias de defesa e aeroespacial com certificação EED, fabricantes de sistemas eletrônicos, comunicações, sensores e segurança com atuação no setor de defesa, empresas de tecnologia com contratos governamentais de defesa.

      🔗 Edital completo: http://www.finep.gov.br/chamadas-publicas/chamadapublica/775

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      5. Tecnologias Digitais — R$ 300 milhões

      Prazo de submissão: 30/09/2026 | Público: Empresas (com ICT obrigatória)

      Foca na construção de soberania tecnológica digital brasileira, com ênfase em IA, computação avançada e tecnologias emergentes. Nenhuma linha temática pode absorver mais de R$ 100 milhões do total do edital.

      Quanto cada empresa pode pedir:

    • Arranjo Simples: entre R$ 5 milhões e R$ 25 milhões
    • Arranjo em Rede: entre R$ 5 milhões e R$ 40 milhões
    • O que financia — linhas temáticas:

      Linha 1.1 – Plataformas nacionais para operação e escala de IA: Desenvolvimento de plataformas e toolkits que acelerem implantação, monitoramento e governança de modelos de IA de terceiros, priorizando tecnologias nacionais. Inclui curadoria e governança de dados, aceleração de RAG e fine-tuning, orquestração de múltiplos agentes de IA, e monitoramento de desempenho e confiabilidade.

      Linha 1.2 – Software de sistema para a pilha de IA: Frameworks, bibliotecas e ambientes de execução para IA; otimizações de kernels e compiladores; interoperabilidade entre camadas da pilha de IA; suporte a RISC-V e aceleradores; ferramentas para auditabilidade, explicabilidade e segurança de modelos.

      Linha 1.3 – Infraestrutura computacional avançada para IA: Otimização de nós de HPC para supercomputação; arquiteturas para treinamento e inferência de IA; sistemas de gestão inteligente de clusters de GPU com billing avançado e fracionamento; ferramentas de orquestração, escalonamento e eficiência energética.

      Linha 2 – GPU Clouds: Plataformas como serviço ou hardware como serviço para simplificar o acesso a clusters de GPUs, bibliotecas e MLOps — facilitando o desenvolvimento e operação de aplicações e modelos de IA por terceiros.

      Linha 3 – Robótica avançada com IA: Sistemas robóticos avançados (incluindo humanoides) com IA embarcada, destinados à indústria de transformação, indústria extrativa ou saúde. Inclui módulos críticos (sensores, atuadores, controladores), plataformas robóticas abertas e integração de robôs colaborativos em linhas de produção.

      Linha 4 – IA para proteção digital de crianças e adolescentes: Modelos multimodais de IA para identificar conteúdo de exploração sexual infantil; detecção e bloqueio de conteúdos nocivos online; supervisão parental inteligente e adaptativa; sistemas de alerta em tempo real; avaliação de risco digital. Em conformidade com a Lei 15.211/2025.

      Linha 5 – Tecnologias quânticas: Computação quântica, comunicação quântica, sensores e metrologia quântica, e materiais quânticos com capacidades nacionais. Inclui simuladores quânticos nacionais e soluções pós-quânticas.

      Linha 6 – Modelos de IA generativa em português: Desenvolvimento ou fine-tuning de modelos LLM e multimodais em português brasileiro, preferencialmente em código aberto. Deve ter aplicação específica obrigatória em um dos setores: agricultura familiar, biodiversidade/meio ambiente, educação e descoberta científica, resiliência climática e mitigação de desastres, saúde, ou segurança pública e defesa.

      Perfil de cliente potencial: Empresas de software e SaaS com área de P&D, startups de IA, fornecedoras de infraestrutura de computação em nuvem, empresas de automação industrial com componentes proprietários, fintechs com desenvolvimento de modelos próprios, indústrias com projetos de digitalização avançada.

      🔗 Edital completo: http://www.finep.gov.br/chamadas-publicas/chamadapublica/779

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      6. Transformação Mineral — R$ 200 milhões

      Prazo de submissão: 31/08/2026 | Público: Empresas (com ICT obrigatória)

      Foca no adensamento da cadeia de transformação de minerais críticos e estratégicos, contribuindo para a transição energética e a descarbonização.

      Quanto cada empresa pode pedir:

    • Arranjo Simples: entre R$ 5 milhões e R$ 20 milhões
    • Arranjo em Rede: entre R$ 5 milhões e R$ 40 milhões
    • O que financia — linhas temáticas:

      Linha 1 – Minerais e materiais críticos para transição energética: Desenvolvimento tecnológico de insumos, compostos, metais, ligas e produtos com aplicações para descarbonização. Cada proposta deve envolver obrigatoriamente ao menos um destes materiais: Alumínio, Cobalto, Cobre, Estanho, Grafita, Lítio, Manganês, PGMs (Platina, Paládio, Ródio etc.), Molibdênio, Nióbio, Níquel, Silício, Tântalo, Terras-Raras, Titânio, Tungstênio, Urânio, Vanádio ou Zinco. Não são elegíveis projetos que se limitem a beneficiamento básico de minérios (modificação de granulometria e concentração sem alterar a identidade química).

      Linha 2 – Mineração urbana (pode chegar ao TRL 8): Recuperação de metais e materiais críticos de fontes secundárias — resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos (REEE), lâmpadas, baterias, células fotovoltaicas, ímãs de aerogeradores e resíduos metalúrgicos. Mesma lista de materiais obrigatórios da Linha 1.

      Linha 3 – Ímãs de terras-raras (pode chegar ao TRL 8): Desenvolvimento e fabricação de ímãs de terras-raras, componentes críticos para motores elétricos de veículos e geradores eólicos.

      Linha 4 – Tecnologias sustentáveis para mineração: Recuperação e regeneração de áreas degradadas por mineração; monitoramento e descomissionamento de minas e barragens.

      Linha 5 – Descarbonização da transformação mineral: Novas rotas metalúrgicas de baixa emissão baseadas em eletrólise, micro-ondas, hidrogênio verde ou aglomerados autorredutores com biomassa. Soluções para cimento de baixo carbono com substituição do clínquer e captura de CO₂ por recarbonatação.

      Perfil de cliente potencial: Mineradoras com braço de pesquisa ou parceria com ICT, empresas de beneficiamento mineral com processos de transformação química, fabricantes de baterias e componentes para energia elétrica, indústrias siderúrgicas e metalúrgicas, empresas de reciclagem de eletrônicos em escala industrial.

      🔗 Edital completo: http://www.finep.gov.br/chamadas-publicas/chamadapublica/771

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      7. Economia Circular e Cidades Sustentáveis — R$ 150 milhões

      Prazo de submissão: 31/08/2026 | Público: Empresas (com ICT obrigatória)

      Apoia soluções que promovam a circularidade de materiais, o uso sustentável da água e a modernização sustentável da construção civil.

      Quanto cada empresa pode pedir:

    • Arranjo Simples: entre R$ 5 milhões e R$ 20 milhões
    • Arranjo em Rede: entre R$ 5 milhões e R$ 30 milhões
    • O que financia — linhas temáticas:

      Linha 1 – Economia circular: Soluções tecnológicas de adição de valor (design circular, modularidade, reparabilidade, materiais não tóxicos ou biobaseados, simbiose industrial); retenção de valor (reuso, reparo, rastreabilidade, servitização — produto como serviço); e recuperação de valor (remanufatura, logística reversa, reciclagem, mineração de dados para ciclos reversos). Não são elegíveis soluções baseadas em recuperação energética de resíduos.

      Linha 2 – Químicos de renováveis: Desenvolvimento de produtos químicos — intermediários, insumos industriais e especialidades químicas — a partir de matérias-primas renováveis, resíduos ou coprodutos, com potencial de substituição de insumos fósseis. Não são elegíveis biocombustíveis, fármacos, fitoterápicos, fertilizantes e defensivos agrícolas.

      Linha 3 – Água e esgoto (pode chegar ao TRL 8 para municípios com menos de 50 mil habitantes): Mitigação de perdas e detecção ágil de vazamentos por sensores; tratamento e produção de água de reúso; remoção de microcontaminantes, contaminantes emergentes e vírus em ETAs e ETEs; sistemas descentralizados de tratamento de esgoto; soluções para localidades com escassez hídrica; digitalização e monitoramento operacional de ETAs e ETEs.

      Linha 4 – Moradia e espaços públicos sustentáveis: Novos materiais e industrialização da construção civil para habitação de interesse social (com foco no programa Minha Casa Minha Vida) e espaços públicos como hospitais, escolas e equipamentos urbanos. Inclui construção leve, seca, pré-fabricada, modular e painelizada; tecnologias de eficiência energética e conforto térmico; softwares nacionais de BIM (Building Information Modeling) para integração de projetos e aumento de produtividade.

      Perfil de cliente potencial: Empresas de saneamento e tratamento de água, construtoras com foco em inovação de materiais e sistemas construtivos, indústrias químicas com portfólio de renováveis, empresas de gestão de resíduos em escala industrial, startups de cleantech e construtech, empresas de software para infraestrutura urbana.

      🔗 Edital completo: http://www.finep.gov.br/chamadas-publicas/chamadapublica/777

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      8. Mobilidade Sustentável — R$ 120 milhões

      Prazo de submissão: 31/08/2026 | Público: Empresas (com ICT obrigatória)

      O edital com os menores tetos por proposta da rodada. O orçamento está dividido: R$ 70 milhões para mobilidade aérea, e R$ 50 milhões compartilhados entre mobilidade aquaviária, metroferroviária e micromobilidade.

      Quanto cada empresa pode pedir:

    • Arranjo Simples: entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões
    • Arranjo em Rede: entre R$ 5 milhões e R$ 20 milhões

    O que financia — linhas temáticas:

    Linha 1 – Mobilidade aérea (R$ 70M disponíveis): Tecnologias para aeronaves mais leves, silenciosas, seguras e eficientes — propulsão sustentável, novos materiais, aeroestruturas, hélices e rotores, e uso de SAF (combustível sustentável de aviação); ecossistema de mobilidade aérea avançada — voo autônomo, segurança de voo, sistemas de tráfego aéreo e vertiportos.

    Linha 2 – Mobilidade aquaviária: Tecnologias para o transporte fluvial e marítimo de pessoas e cargas, com foco em redução de emissões de CO₂ e eficiência operacional. Inclui propulsão elétrica e híbrida, combustíveis de baixo carbono e integração com outros modais. Não inclui tecnologias destinadas primordialmente ao lazer.

    Linha 3 – Mobilidade metroferroviária: Digitalização e sustentabilidade de sistemas ferroviários e metroviários — ferrovia digital (manutenção preditiva, controle, segurança, aumento de velocidade); ferrovia sustentável (tração limpa, eficiência energética, otimização de mudanças de via).

    Linha 4 – Micromobilidade: Bicicletas e triciclos elétricos ou movidos a combustíveis de baixa emissão voltados ao transporte urbano de pessoas e cargas (não lazer); sistemas inteligentes de compartilhamento; infraestrutura urbana e soluções digitais para integração modal e redução de emissões.

    Perfil de cliente potencial: Fabricantes de aeronaves leves e drones, empresas de transporte hidroviário com projetos de modernização, operadoras de metrô e trem urbano com parceiros de tecnologia, startups de micromobilidade e logística urbana de última milha, fabricantes de componentes elétricos para transporte.

    🔗 Edital completo: http://www.finep.gov.br/chamadas-publicas/chamadapublica/778

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    9. Semicondutores — R$ 100 milhões

    Prazo de submissão: 30/09/2026 | Público: Empresas (com ICT obrigatória)

    Apoia o desenvolvimento de produtos e processos inovadores no setor de semicondutores e microeletrônica, área considerada estratégica para a soberania tecnológica nacional. As propostas devem ser submetidas em Arranjo Simples (com pelo menos uma ICT) ou Arranjo em Rede (com ICT e pelo menos duas coexecutoras).

    Perfil de cliente potencial: Empresas de design de chips (fabless), fabricantes de eletrônicos com componentes ou módulos eletrônicos proprietários, centros de P&D em microeletrônica e sistemas embarcados, empresas de automação industrial e SCADA com hardware próprio.

    🔗 Edital completo](http://www.finep.gov.br/chamadas-publicas/chamadapublica/780

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    10. Ecossistema Tecnológico de Biorrefino — R$ 10 a 30 milhões por projeto

    Prazo de submissão: 29/05/2026 | Público: ICTs (universidades e institutos de pesquisa)

    Este edital funciona de forma diferente dos outros: ele não é voltado para empresas como proponentes, mas para ICTs públicas ou privadas credenciadas ou em processo de credenciamento junto à ANP. É uma parceria Finep-Petrobras para construir um ecossistema nacional de pesquisa em biorrefino.

    Cada proposta deve abordar obrigatoriamente dois desafios tecnológicos:

    Desafio 1 – Insumos para SAF e biocombustíveis: Desenvolvimento experimental de insumos para produção de combustível sustentável de aviação (SAF), outros biocombustíveis ou produtos de baixo carbono. Foco em hidrocarbonetos, óleos microbianos e matérias-primas oriundas de açúcares fermentescíveis, resíduos sólidos urbanos, resíduos agroflorestais e ácidos graxos.

    Desafio 2 – Enzimas e micro-organismos para conversão de biomassa: Desenvolvimento e produção, com tecnologia preferencialmente nacional, de enzimas e micro-organismos adequados à produção em escala protótipo de correntes para SAF de baixa intensidade de carbono.

    Como empresas se encaixam neste edital: Embora não possam ser proponentes, empresas dos setores de energia, petróleo e gás, biotecnologia e bioenergia podem participar como Parceiros Empresariais — aportando recursos técnicos e comerciais para aplicação prática das tecnologias geradas. Essa participação posiciona a empresa para licenciamento futuro das inovações desenvolvidas no ecossistema.

    🔗 Edital completo: http://www.finep.gov.br/chamadas-publicas/chamadapublica/782

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    11. Subvenção Econômica Regional — R$ 300 milhões ⚠️ ENCERRADO

    Prazo: 09/04/2026 — encerrado | Público: Empresas com faturamento de até R$ 90 milhões

    Este edital era voltado exclusivamente para empresas sediadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e o prazo encerrou em 9 de abril de 2026. Apoiava projetos alinhados às missões da Nova Indústria Brasil — bioeconomia, saúde, transformação digital, cadeias agroindustriais, infraestrutura urbana e defesa.

    Caso seu cliente se enquadre nessas regiões, vale monitorar a Finep — editais regionais com esse formato tendem a ser repetidos em rodadas futuras.

    🔗 Edital completo (encerrado): http://www.finep.gov.br/chamadas-publicas/chamadapublica/776

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    Como identificar um cliente com potencial

    Para avaliar rapidamente se uma empresa se enquadra em algum desses editais, as perguntas-chave são:

    1. A empresa tem ou quer criar um produto, processo ou tecnologia nova? Subvenção não é para escalar o que já existe — é para desenvolver o que ainda não existe ou funciona de forma nova. O projeto precisa ter risco tecnológico associado.

    2. O setor da empresa aparece na lista dos editais? Energia, saúde, agronegócio, tecnologia digital, defesa, mineração, mobilidade, construção sustentável, semicondutores e biorrefino são os temas desta rodada.

    3. A empresa consegue financiar sua contrapartida? Microempresas entram com apenas 5%, mas médias empresas (faturamento entre R$ 16M e R$ 90M) precisam bancar 30% do valor total em Arranjo Simples ou 15% em Arranjo em Rede. Esse é um filtro prático importante.

    4. A empresa consegue se associar a uma ICT? Quase todos os editais exigem parceria com universidade ou instituto de pesquisa. Essa parceria não precisa ser complexa — pode ser um contrato de pesquisa já existente ou a ser firmado.

    5. A empresa está disposta a executar um projeto de até 36 meses com prestação de contas regulares? Subvenção tem burocracia de gestão. Empresas sem experiência em projetos financiados por órgãos públicos precisam de suporte especializado para a execução.

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    Próximos passos

    Identificar o enquadramento é o primeiro passo. A elaboração de uma proposta competitiva envolve análise de elegibilidade formal, definição do escopo tecnológico alinhado ao TRL exigido pelo edital, estruturação do orçamento detalhado, formalização da parceria com ICT, redação do plano de projeto e dos indicadores de resultado, e submissão pela Plataforma de Apoio e Financiamento da Finep.

    A qualidade da proposta — especialmente a demonstração do risco tecnológico e da relevância do tema para as prioridades nacionais — é determinante para a aprovação. Propostas aprovadas são contratadas em ordem de mérito, respeitando o orçamento de cada chamada.

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    Artigo publicado em abril de 2026. As informações são baseadas nos editais e Anexos 1 publicados oficialmente pela Finep (finep.gov.br). Prazos e condições podem ser atualizados — consulte sempre o edital completo antes de iniciar a elaboração de uma proposta.

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    Felipe Albuquerque

    Sobre o autor

    Felipe Albuquerque

    Sócio da Albuquerque Paulo & Associados, atua como advisor em financiamento estruturado, com foco em operações de longo prazo com o BNDES.

    Há mais de 20 anos estrutura operações de crédito complexas, combinando modelagem econômico-financeira, leitura rigorosa de risco e desenho de estruturas capazes de sustentar aprovação, execução e longevidade de projetos.

    Na AP&A, assessora empresas de médio e grande porte na viabilização de financiamentos relevantes para indústria, tecnologia, energia e infraestrutura, conectando estratégia corporativa a capital de longo prazo.

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